E lá se vão dez anos desde que o
mundo perdeu um de seus artistas mais geniais.
É um daqueles casos em que todos
se lembram do momento exato em que receberam a notícia. No dia 25 de junho de
2009, Michael Jackson, o eterno "Rei do Pop", faleceu em decorrência
de um ataque cardíaco produzido por uso indevido de medicamentos e conduta
perigosa (e mesmo criminosa) do médico que o atendia. E tudo isto às vésperas
de um retorno muito aguardado por fãs no mundo todo.
Michael estava prestes a iniciar
uma série de apresentações em Londres, após um intenso período de ensaios. Mas
o reencontro com o público foi interrompido naquela fatídica quinta-feira, há
uma década.
Lembro perfeitamente como fiquei
sabendo do ocorrido. Enquanto aguardava o início de uma aula, à noite, um
colega sentou ao meu lado e me perguntou: "sabe quem morreu hoje"? Eu
li horas antes que a atriz (e eterna Pantera) Farrah Fawcett havia falecido e
prontamente respondi sobre ela. Meu colega então me adiantou: "Não, morreu
o Michael Jackson". Não consegui contra-argumentar, apenas perguntei:
"Sério"? Meu colega confirmou a informação, dizendo: "Sim,
parece que teve um infarto". Nada mais falei. Apenas olhei para a frente,
ponderando sobre o que me foi dito. Quando voltei para casa, os noticiários
reportavam incessantemente o fato. Era verdade, um de meus artistas prediletos
havia nos deixado. Tão perto de seu retorno triunfal aos palcos. Uma lástima.
Uma tristeza.
Desde então, diversos
acontecimentos interessantes. Como era esperado, a popularidade de MJ só
aumentou, ainda mais após a exibição do excelente This Is It,
documentário que capturou momentos dos ensaios para a série de
apresentações que o cantor faria.
Dois discos póstumos foram
lançados. Michael, em 2010, se mostrou uma obra fraca, quase
desrespeitosa, com canções recheadas de autotune e outros efeitos,
inclusive com rumores de que não era a voz de Jackson em diversos momentos. Uma verdadeira colcha de retalhos. Já Xscape,
de 2014, ofereceu boas músicas, cada
uma apresentada com uma versão original e outra remixada por artistas e produtores de
renome.
Coletâneas, livros, animações, jogos de videogame e brinquedos também foram disponibilizados. Ainda, edições especiais de seus discos anteriores, acompanhadas de documentários dirigidos por Spike Lee. Toda uma gama de produtos relacionados, a manter vivo o interesse do público pelo artista.
Em 2019, uma produção
muito questionável da HBO reacendeu o debate sobre as alegações
de suposto abuso sexual que MJ teria cometido, no caso, contra dois meninos,
hoje adultos, que fizeram parte de sua vida no final dos anos 1980 e início dos
anos 1990. A obra causou furor, ao apresentar apenas o relato
destes dois homens (de reputações bastante duvidáveis), sem nunca se preocupar em oferecer uma evidência concreta ou
ouvir o outro lado.
Acho engraçado notar que, a partir de 2009, todo mundo voltou a ser fã
de Michael Jackson. Durante toda a década de 2000, diversas vezes testemunhei pessoas me olhando com um
"quê" de suspeita, quando me viam, por exemplo, escutando uma música de
MJ no carro. Como poderia alguém ser fã de um acusado de abuso sexual e
pedofilia? E isto mesmo após Jackson ser amplamente investigado,
julgado e absolvido de todas as acusações. Depois de 2009, entretanto,
estas mesmas pessoas passaram a cantar Thriller (e qualquer outra canção) a
plenos pulmões, sem medo de serem felizes. A lição que fica? A morte de um
artista é acontecimento suficiente para acabar com qualquer hipocrisia
que alguém possa ter (ou apenas ampliá-la, vai saber).
No fim das contas, fica apenas a
saudade de um artista singular e a tristeza em perceber que ele ainda poderia
estar aqui, criando músicas, coreografias e vídeos sensacionais. Entretanto, o que ele nos deixou
é entretenimento de qualidade para uma vida inteira. E disto não podemos
reclamar.
Ah, mas como seria bom se tivéssemos ainda mais...