terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fliperamas de Cidra Beach

Finalmente!

É chegada a hora de mais um texto com a mais pura nostalgia maldita e salafrária que você só encontra neste blog.
E aviso: este texto será longo.
Ou não...

Desta vez, vou discorrer sobre lugares que proporcionaram inesquecíveis momentos de jogatina virtual em minha vida:

Os Fliperamas de Cidra Beach.

Sim, muito freqüentei fliperamas, jogando clássicos (que eram novidades, na época), gastando meu curto dinheiro e me divertindo ao lado dos amigos.

E os fliperamas de Cidra tinham um charme especial, ao menos para mim.

É triste constatar que nenhum dos recintos citados aqui sobreviveu para "contar estória".
O "último dos moicanos" fechou em 2009 (pelo menos esta era a situação até a data de publicação deste texto; se a situação mudar, atualizo o texto).
No decorrer desta dissertação, analisarei mais sobre isso.

Mas vamos lá.

Como começar?

Não lembro exatamente qual foi o primeiro fliperama de Cidra que freqüentei, nem qual o primeiro jogo que joguei (bela maneira de começar).

Talvez o mais antigo tenha sido o fliperama do Saraiva.
Ficava ao lado do bar de mesmo nome e apresentava bons jogos, como Elevator Action, Circus Charlie, Ghosts n' Goblins, Xevious, Gladiator, Pooyan, Rally-X, Exerion, Pole Position, The Simpsons, além do clássico pinball Cavaleiro Negro.


Era um típico boteco, com mesas de sinuca (durante algum tempo, houve também mesas de pebolim, o popular fla-flu), além das máquinas de fliperama.
A máquina de Pole Position, uma cabine em que o jogador entrava para dirigir, era fascinante na época. A cabine ficava na rua, na entrada do fliperama, e dificilmente estava desocupada.


Um dos melhores momentos de jogatina que vivi neste fliperama foi quando juntei um algomerado de pessoas ao meu redor, que observavam enquanto eu vencia fases no Elevator Action.
Foi uma pequena glória, que me traz um sorriso ao rosto, sempre que lembro.
Onde era o Saraiva, agora existe uma boate de bailão, chamada Snack Music (Snaik para os íntimos).


E mais precisamente, onde ficavam as máquinas de fliperama, hoje há um salão de beleza.


Um pouco mais adiante, existia o Disney-Kão, popular bar e lancheria, que algum tempo depois, também abrigou algumas máquinas de fliperama, embora por curto período, com jogos como Street Fighter II, World Heroes, entre outros.
Hoje em dia, o Disney-Kão não mais existe, e o recinto deu lugar a uma loja de celulares e loja de roupas, como se nota nas imagens abaixo:


Mas talvez o mais clássico dos fliperamas de Cidra tenha sido o Fliper Hobby.
Sim, aquele mesmo, da escadinha.


Ah, a escadinha do fliperama, abarrotada de bicicletas, anunciando que uma boa quantidade de malucos estava ali torrando dinheiro em fichas, jogando preciosidades como Aliens, Son of Phoenix, City Connection, Shadow Dancer, POW - Prisoners Of War, Empire City 1931, Commando, Jail Break, Sunset Riders, Altered Beast, Combatribes, Time Killers, Toki (JuJu), Tokio, Air Wolf (o popular "Águia de Fogo").


Neste fliperama, passei grandes momentos jogatináveis.
Principalmente porque foi ali que descobri dois jogos que se tornariam meus prediletos:
Mat Mania (também conhecido como Exciting Hour) e Crime Fighters.
Mat Mania é um jogo de luta-livre muito bacana (há uma resenha deste jogo aqui no blog).


Muito joguei, penando para vencer o Coco Savage e para manter o título após vencer o Golden Hulk.
Por um bom tempo, minhas iniciais ficaram gravadas na primeira colocação da máquina, o que me dava um certo orgulho.

E Crime Fighters é um ótimo beat'em'up da Konami, para quatro jogadores simultâneos.


Durante um verão inteiro, foi só o que joguei, juntamente com meu irmão, meu primo e mais dois amigos.
Ficamos tão viciados neste jogo, que decidimos em determinada tarde que iríamos terminá-lo, não importando quanto custasse ou quanto demorasse.
E lá fomos nós, cinco maníacos afoitos por vencer o chefão e salvar as garotas seqüestradas.
E lá fomos nós, vencendo fases, perdendo vidas, comprando fichas e mais fichas e gastando todo nosso dinheiro.
E eis que, após muita jogatina, chegamos no último chefão, no último inimigo.
O canalha surgiu em uma limosine e jogou no chão a chave da cela onde estavam as garotas.
Foi então que a desgraça aconteceu: todos os quatro jogadores correram para pegar a chave, sendo então severamente metralhados pelo maldito chefão.
O pior: todos perderam suas vidas e, nesta fase, o jogo não permitia continuar.
Mas o que era para ser motivo de tristeza, raiva e frustração, tornou-se uma engraçadíssima estória, que nos alegra, a cada vez que lembramos do ocorrido.

Ainda, foi no Hobby que vi pela primeira vez Mortal Kombat.
Eu gostava muito de Pit Fighter e fiquei impressionado com todos aqueles lutadores digitalizados e aquela temática de filmes antigos de artes marciais e ninjas (sem contar os fatalities, é claro).


Infelizmente, o Hobby fechou as portas.


O recinto já foi usado como restaurante, bingo (e até igreja, se não me engano).
Mas a escadinha continua lá.
Deveria ser tombada como "patrimônio municipal" ou, no mínimo, "patrimônio video-gamístico".


Ao lado do Hobby, havia um outro fliperama.
Nunca soube o nome daquele fliper e por isso, sempre o chamei de "Fliper do Lado".
Era pequeno, um botequim mesmo, com algumas máquinas, uma ou duas mesas de sinuca.
Mas havia grandes clássicos ali.
Xevious, Kung-Fu Master, Express Raider, Pinball Action, Arkanoid, 1943, Ikari Warriors.


E claro, o clássico Double Dragon.


Muito joguei. Mas muito mesmo.
Aprendi a apreciar Double Dragon justamente por jogar no Fliper do Lado.
E quando Double Dragon II chegou, fez um relativo sucesso, pois somente o Fliper do Lado tinha esse jogo.


E era engraçado notar que, durante um bom tempo, havia um cartaz afixado à máquina, com os dizeres:

"Não 'chame' muitos inimigos ou a máquina ficará lenta".

O jogo tinha um defeito de programação e ficava lento quando muita coisa era apresentada na tela. Assim sendo, para evitar reclamações, o dono do fliperama resolveu a questão com este simpático conselho.
Impagável.

Após algum tempo, o Fliper do Lado passou a oferecer a jogatina por hora.
A máquina era configurada para Free Play. Ou seja, ao invés de comprar fichas e jogar o que dava naqueles preciosos minutos que a habilidade permitia, agora bastava "locar" a máquina por uma hora ou mais.
Foi assim que, junto com um amigo, terminei Mortal Kombat com todos os lutadores (e ainda lutamos contra o Reptile até cansar).
Foi assim que este mesmo amigo terminou aquele jogo dos X-Men para 6 jogadores.


O Fliper do Lado também acabou e no local há um terreno vazio, que serve como estacionamento, atualmente.


E agora: "o último dos moicanos".
Fliper Chaplin.


Inesquecível.
Imagine entrar em um local e testemunhar Pit Fighter, Final Fight, Golden Axe, Moonwalker, Out Run, Green Beret, Street Fighter II, Knights of the Round, Cadillacs and Dinosaurs, Captain Commando, Metal Slug, Art of Fighting, Super Sidekicks, além de tantos outros.


Pois isto era o Fliper Chaplin.
O último de sua espécie.
Uma verdadeira sala de jogos, com mesas de sinuca, fla-flu e air hockey.
Possuia uma singela placa com o nome "Fliper Chaplin" e um bonito desenho do artista ao lado:


Jogar Moonwalker, com três jogadores simultâneos e com ótimo sistema de som, era uma sensação única (e a máquina era original e completa, igualzinha à imagem abaixo).


Pit Fighter também fazia muito sucesso, também permitindo três jogadores simultâneos.
Foi neste fliperama que vi pela primeira vez Super Street Fighter II Turbo, com a primeira aparição do Akuma/Gouki.
Além dos grandes clássicos, o Chaplin ainda apresentou jogos mais atuais, como King of Fighters (não me pergunte qual versão), todos os jogos da série Marvel Vs, etc.

Um acontecimento memorável no Chaplin se deu com Street Fighter Alpha 2, quando um amigo fez um verdadeira "papelão", ao apanhar vergonhosamente para o Birdie.


Por ter se tornado o último remanescente, para alguns o Chaplin passou a ser referência de início de temporada de verão. Quando o Chaplin abria suas portas, era sinal de que o veraneio estava começando.
Porém, parece que 2009 é o ano fatídico.
Na última vez que vi, o Chaplin, apesar de aberto, estava vazio.
Nenhuma máquina, nenhuma mesa de sinuca ou balcão de atendimento. Apenas a mesa de air hockey encostada em um canto.


O destino do Chaplin parece ser conhecido: tornar-se mais uma de tantas lojas de bazar e miudezas.
Um triste fim de uma era iluminada, literalmente.

Existiram outros fliperamas menores, que duraram pouco, mas deixaram algumas boas lembranças.

Lembro de um fliperama construído perto da praça de Cidra, onde hoje se situa o parque de diversões, durante o verão.


Era uma casa de madeira (verde, se não me engano), com algumas poucas máquinas, entre elas Donkey Kong, Green Beret, Jail Break e King of Boxer.
Durou somente um verão.


Mas nunca esqueci do controle trackball para jogar King of Boxer.
Enfim...

Ainda, em uma esquina depois do Chaplin, houve um outro fliperama (atualmente é uma sorveteria).


Jogos como World Heroes, Shock Troopers, Metal Slug e outros estavam presentes.
Também durou pouco.

Próximo da tradicional sorveteria Erexim, existiu um outro fliperama, que contava com jogos mais atuais, como King of Fighters, Metal Slug, a série Marvel Vs, além das máquinas com jogos de dança. Atualmente, há uma lan house no local:


Na esquina do Disney-Kão, do outro lado da rua, também existiu um fliperama (não lembro o nome).
Apresentava King of Fighters, Marvel Vs. e outros jogos da época.
Já foi bar, lancheria. Atualmente o recinto abriga loja de roupas:


E também houve um pequeno fliperama dentro do supermercado Asun.
Era uma locadora/fliperama. Havia poucas máquinas.
Entre elas, Street Fighter (algum da série Alpha, não lembro qual agora).
E também Slipstream, um bom jogo de Fórmula 1.


Os fliperamas foram subjugados pelas locadoras de jogos de video-games e, mais tarde, pelas lan houses.

Aquela velha sensação de comprar uma ficha, pressionar o botão Start e depender de suas habilidades para vencer a máquina (que muitas vezes era configurada para os níveis mais difíceis, tornando os jogos "roubados") está se perdendo, se já não está perdida, pelo menos em Cidra.

Sempre que passo em frente aos recintos onde antes estavam estes fliperamas, lembro com grande saudade daqueles tempos mais simples, em que o maior problema era vencer algum chefão de fase.

Lembro de jogos e locais que ofereceram grandes divertimentos, ao lado de grandes amigos, os quais mantenho com orgulho até hoje, embora sem a mesma proximidade de antigamente.

É engraçado notar como algo tão casual como um fliperama pode reter tantas boas lembranças, gravadas eternamente em minha memória (e, acredito, na memória de inúmeras outras pessoas também).

Quem dera estes fliperamas ainda existissem.

Pelo menos, hoje existe o MAME, que ajuda a relembrar, em parte, aquelas boas sensações das jogatinas de fliperama.

De mais a mais, estas lembranças saudosistas malditas muito me fazem sorrir, principalmente quando relembro das peripécias junto aos amigos que vivenciaram tais aventuras.

E era isso.

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P.S.: Preferi não citar os nomes dos envolvidos nos acontecimentos mencionados no texto, mas eles vão se reconhecer no ato da leitura.

P.S. 2: Os jogos citados no texto não seguem uma cronologia determinada, no tocante ao período em que estavam nos fliperamas. Apenas são apresentados conforme as lembranças do autor. Ainda, muitos fliperamas apresentavam os mesmos jogos (com pequenas variações). Ex.: o Fliper Chaplin tinha Moonwalker para 3 jogadores. O Saraiva tinha Moonwalker para 2 jogadores. E assim, substantivamente...

P.S. 3: As imagens desta matéria foram capturadas com um celular SonyEricsson Z530i. Por quê? Porque era o que eu tinha à mão e até que deu um "charme de coisa velha", no fim das contas.

P.S. 4: Se você vivenciou os tempos áureos dos fliperamas de Cidra, fique à vontade para compartilhar suas lembranças. Utilize os comentários para isso. Os saudosistas malditos agradecem.

ATUALIZAÇÃO (02/02/2010):
Durante uma noite no mês de janeiro de 2010, adentrei no recinto que antes era conhecido como Fliper Hobby.
Agora é um bar com mesas de sinuca.
Subir as escadinhas novamente teve um sabor agridoce e anti-climático: era o mesmo recinto, mas não era o Hobby.
Mas mais importante do que isto (e o real motivo para esta atualização):
O Fliper Chaplin ainda existe.
Foi reaberto na temporada de verão, como de costume.
Para comemorar esta ocasião, me vi (ou seria "vi-me"?) na obrigação de jogar algo e fazer um papelão.
O jogo escolhido foi Marvel vs. Capcom 2, tendo selecionado os personagens Ryu e Homem-Aranha. Estava indo tudo muito bem, até aparecer o desgraçado do Venom na minha frente. Resultado? Papelããããoooo...
Ao meu lado, um amigo repetia seu papelão em Street Fighter Alpha 2 (não citarei seu nome para não envergonhá-lo, mas todo mundo sabe quem é, até minha vó sabe).
Desta vez até que durou mais e não perdeu para o Birdie, mas enfim...
O importante é que o Fliper Chaplin resiste, mantendo acesa a chama dos Fliperamas de Cidra Beach.