quarta-feira, 22 de abril de 2026

Michael

Um filme para enaltecer o Rei do Pop e agraciar seus fãs. 

 
Assisti à cinebiografia dedicada a meu artista predileto: Michael Jackson. Um filme bastante esperado, sobre o qual discorro a seguir. Atenção: texto com SPOILERS
 

Sob direção de Antoine Fuqua e produzido por Graham King, responsável por Bohemian Rapsody, Michael tem a mesma estrutura do filme sobre Freddie Mercury. Inicia do fim. Curiosamente, em ambas as produções, as cenas iniciais mostram os dois astros prontos para subir ao palco no estádio de Wembley, na Inglaterra. Depois disso, inicia um longo flashback, para contar a jornada ao estrelato e, enfim, a apresentação apoteótica no auge da carreira. 


O filme parece uma versão estendida dos primeiros vinte minutos de Moonwalker, em que vemos um resumo da trajetória de MJ, de seu início com os irmãos até a glória com a carreira-solo. Todos os momentos mais marcantes de sua vida estão representados. A produção mostra o início da carreira musical dos Jackson 5, os sucessos individuais retumbantes com Off the Wall e Thriller, a encerrar com a afirmação na turnê do disco Bad.

Para os fãs inveterados, não há grandes novidades. Para mim, em muitos momentos tive a sensação de estar assistindo a uma versão recauchutada do documentário Michael Jackson: The Legend Continues, de 1989. Pode ser frustrante para quem esperava um olhar mais denso na vida e relacionamentos de Michael. Há vislumbres das principais passagens da carreira, intercalados com momentos da vida pessoal, mas nada além disso. Sua relação conturbada com o pai, as questões de vaidade e saúde (cirurgias no nariz, acne, lúpus, vitiligo), os animais de estimação, o acidente durante a gravação de um comercial (que o levou à dependência de analgésicos para o resto da vida). Suas iniciativas humanitárias. Tudo é vislumbrado, mas não minuciado. 


Algumas passagens ficaram de fora. Poderiam ter mostrado algo de We Are The World, afinal, Michael compôs a música com Lionel Richie e foi um dos principais nomes da campanha USA For Africa. Além disso, assim como em Bohemian Rapsody, outros momentos foram colocados fora de ordem. E outros pequenos detalhes que podem frustrar o fã mais atento, mas não atrapalham, como quando Michael anuncia, durante o último show da Victory Tour, que aquela seria a última turnê com os irmãos. No filme, o anúncio é feito enquanto tocam Workin' Day and Night, mas, na realidade, a música que tocavam era Shake Your Body (Down To The Ground). Exceto por este detalhe, o momento é reproduzido com grande fidelidade, com os demais Jacksons ao fundo, com olhares perplexos. 


Ainda assim, é um deleite, tanto para quem conhece todas as letras de todas as músicas, quanto para quem ouviu o nome "Michael Jackson" ontem. O esmero da produção é visto em todos os quesitos: figurinos, maquiagens, cenários, as configurações dos palcos de cada turnê. Tudo extremamente fiel. E a trilha sonora, como esperado, é um primor, embalada pelos maiores sucessos do Rei do Pop, inclusive em belas versões instrumentais. 

As interpretações são competentes, com destaque para Colman Domingo e Nia Long, como os pais de Michael, e KeiLyn Durrel Jones, como Bill Bray, o guarda-costas, na verdade, um leal amigo. Juliano Krue Valdi também impressiona como o jovem Michael. Miles Teller interpreta John Branca, advogado e hoje responsável pelo espólio do cantor. Na verdade, está ali para representar todos os empresários e advogados que fizeram parte de sua história (Frank DiLeo foi uma figura muito mais emblemática nos anos 1980 do que Branca, por exemplo).

E Jaafar Jackson realmente fez jus a todos os elogios. Interpreta seu tio com uma energia similar e, em muitos momentos, parece que estamos vendo o verdadeiro Michael em cena. Obviamente, é impossível emular uma personalidade tão singular com perfeição. Michael Jackson é único. Só é possível se aproximar de sua genialidade, como também fez Wylie Draper na mini-série "The Jacksons: Um Sonho Americano" (The Jacksons: An American Dream), em 1992. 


O filme termina com a frase "His story continues" ("Sua estória continua"). Já se sabe que um novo filme será lançado, provavelmente a contar os acontecimentos da década de 1990 até o fim de sua vida. Talvez então tenhamos um maior foco nas questões pessoais de MJ, já que foi seu período mais turbulento (mas não menos genial em termos artísticos).

Enfim, Michael é um presente para os fãs, que durante muitos anos tiveram que presenciar o ídolo a ser alvo de todo tipo de ataque e chacota. Do início do filme, desde os primeiros acordes de Wanna Be Startin’ Somethin’ até os créditos finais me peguei batendo o pé no chão ao ritmo das músicas. "Revigorante" talvez seja a palavra. Revigora ver a obra de MJ novamente "na boca do povo", a nos lembrar como suas canções nos tocaram e transformaram a música e a cultura pop em geral. Revigora ver o artista tratado com o devido respeito e sua genialidade novamente enaltecida, ainda que em pequenos vislumbres.

Que venha um novo filme. Os fãs agradecem. 


Keep moonwalking!