sexta-feira, 22 de maio de 2026

Mando e Grogu

O velho cuida do novo e o novo cuida do velho. Este é o caminho. 

 
Assisti a Star Wars: O Mandaloriano e Grogu. A seguir, minhas impressões sobre a obra. Aviso: texto com SPOILERS
 

Começo com uma reclamação. Não gostei da abertura do filme, com os créditos mostrados já no início. Para este que vos escreve, o simples fato de um filme da franquia iniciar sem a fanfarra da Fox e o tema clássico de John Williams já é chato o suficiente. Ver os nomes dos atores sobre as cenas, com o filme a se desenrolar, parece quebrar a magia (nunca gostei sequer quando os nomes dos planetas são mostrados, algo que começou com Rogue One). 


Sob direção de Jon Favreau, a produção é caprichada, alguns dos planetas e locais são deslumbrantes. Há boas cenas de ação, bons efeitos especiais. Uma trilha sonora competente, embora momentos que misturam música orquestral com eletrônica, por alguma razão, tenham me soado estranhos. Este tipo de mescla funcionou nas séries, mas não consegui evitar a sensação de estar mais a assistir a um filme de Tron do que da galáxia muito distante (mas, claro, é peculiaridade e preferência minha). 


A trama é simples (até simplória). Din Djarin precisa resgatar o filho de Jabba e entregá-lo a seus tios Hutts, Em troca, estes informarão sobre um oficial imperial que as forças da Nova República precisam capturar. Obviamente, nem tudo é o que parece, intrigas e traições se farão presentes e o que deveria ser fácil se tornará mais complicado. 


A primeira metade do filme é bastante movimentada e interessante. Já na segunda parte, quando o Mandaloriano é capturado e depois fica desacordado, cabendo a Grogu resgatá-lo e zelar por ele, há mais lentidão. A breve aventura-solo de Grogu se torna um pouco enfadonha (e me lembrou dos piores momentos dos filmes dos ewoks). 


Há algumas aparições e referências, mas nada que tire o foco. A participação de Zeb Orrelios vai agradar aos fãs de Rebels. Vale notar que este é o primeiro filme de Star Wars nos cinemas que não mostra um sabre-de-luz ativado. E para os ouvidos mais apurados dos saudosistas, há até mesmo uma referência a um desenho animado clássico da Hanna-Barbera. Não revelarei mais detalhes, mas em certo momento é possível ouvir o som do veículo de George Jetson, de forma muito clara. 


É um bom entretenimento, mas que pouco oferece em termos de desenvolvimento dos personagens. O Mandaloriano começa e termina da mesma forma. Grogu tem alguma evolução, mas nada impactante. Ainda assim, a grande verdade é que este filme deveria ter sido outra temporada da série. Afinal, a trama é muito mais coesa e centrada em Din e Grogu, ao contrário da decepcionante terceira temporada, que se perdeu com personagens abobados, celebridades adicionadas ao elenco simplesmente para estarem ali e o foco retirado do Mandaloriano em prol de Bo-Katan Kryze. 


Infelizmente, é triste constatar que franquias queridas precisam de um descanso. Star Wars, Jornada nas Estrelas, Doctor Who, O Senhor dos Anéis, Indiana Jones, Caça-Fantasmas, Marvel, DC e tantas outras. Todas precisam de uma boa parada. Para frear a saturação. Para poder retornar com novas idéias. E para deixar que surjam outras propriedades intelectuais completamente originais, algo raro em Hollywood, já que tudo atualmente é refilmagem, continuação ou adaptação de outras mídias (a mais nova onda envolve as adaptações de videogames para cinema, que também não são novidade alguma, mas ganharam nova força nos últimos anos e, provavelmente, ocuparão o espaço dos filmes de super-heróis). 


Enfim, mais um filme de Star Wars visto no cinema. Como sempre, é muito bom retornar à galáxia muito distante, mas é preciso mais. Nos cinemas, Star Wars dever ser sempre um evento. Não apenas "mais um filme", por mais que a idéia de franquia e a "fórmula Marvel" continuem relevantes nas mentes dos "figurões" dos grandes estúdios. É preciso uma trama sólida, com bom desenvolvimento de personagens e situações que agreguem, sem desvirtuar ou estragar o que de bom veio antes. Não sei se Starfighter, previsto para 2027, cumprirá este papel. Resta torcer. Porque a apatia é o maior inimigo. O público tem dado vários recados nas bilheterias. Neste contexto, ouso pensar que, talvez, seria melhor não termos mais filmes nos cinemas, além de menos séries nas plataformas de streaming, para o bem da própria franquia. Rogo estar totalmente enganado. O tempo dirá. 


E que a Força esteja conosco... sempre!