sábado, 14 de maio de 2011

O fim de Smallville

Certo, amiguinhos.
Após um bom tempo, eis aqui uma resenha.
E já aviso, não venham me incomodar depois: este texto contém spoilers.
Sim, spoilers, tipo: "Luke é filho de Darth Vader", "o Titanic afunda no final", "Bruce Willis era um fantasma o tempo todo".
Vocês entenderam...



Enfim, após 10 temporadas, encerrou-se o seriado Smallville, que contou as peripécias de Clark Kent, vulgo Super-Homem, em sua adolescência.

Desde já, afirmo: só acompanhei completamente as duas primeiras temporadas deste seriado. Da terceira temporada para a frente, acompanhei esporadicamente.

E a razão para isso foram as diversas liberdades tomadas ao longo do seriado, em relação ao material-fonte, os gibis.

Não me entendam mal, reconheço as inúmeras virtudes de Smallville (do contrário, não teria uma década de sucesso). Enfim...

Este último episódio mostra, finalmente, o momento em que Clark Kent deixa de ser um adolescente em dúvidas sobre seu papel no mundo e passa a ser um homem (ou Super-Homem) que de fato desempenha um papel neste mundo.


Mas o episódio em si, apesar das participações especiais e de várias referências aos gibis e às temporadas anteriores, peca em vários momentos.

Primeiro, o tempo excessivo dedicado ao casamento entre Lois e Clark, em que ambos passam a ter dúvidas, sendo que tudo se resolve de maneira simplória, o que acaba indicando que 30 minutos do episódio foram gastos à toa.

Em seguida, tem início a verdadeira iniciação de Clark como Super-Homem.
O planeta Apokolips aproxima-se da Terra, tornando iminente a ameaça de Darkseid.
Os roteiristas "preparam o terreno", criam alguma tensão, para em seguida, encerrarem tudo de maneira burocrática, preguiçosa e talvez até com má-vontade.
Sim, porque, quando enfim chega o momento que todos esperam, quando Clark finalmente enfrentará Darkseid, temos uma "briguinha" rápida e logo depois, o Super-Homem salva o planeta rapidamente.
Ou seja, a primeira aparição do Super-Homem para o mundo acaba deixando uma sensação anti-climática.


Michael Rosenbaum volta como Lex Luthor; sua participação é interessante, mas pouco adiciona, principalmente porque, logo depois de sua conversa com Clark, terá sua memória apagada. Ou seja, tudo o que ele viveu até aqui, de pouco serviu, a não ser para Clark talvez, que agora conhece melhor seu inimigo.

A presença de Jonathan Kent é desnecessária, apenas para aumentar o fator emotivo, mas John Schneider é bacana e faz suas cenas ficarem menos dispensáveis.

Temos também uma cena tosca do Arqueiro Verde enfrentando e vencendo os asseclas de Darkseid sozinho. Forçou a barra...

E claro, temos as resoluções fáceis e rápidas para amarrar as "pontas soltas", usando de todos os clichês possíveis: as mortes de Tess e Lionel, a memória de Lex sendo apagada...

Também acho que utilizaram mal a música-tema clássica composta por John Williams, na cena final, em que nada acontece. Temos aquela sensacional música tocando, olhamos para a tela e vemos, em câmera lenta, Clark abrindo uma porta, tirando seus óculos e só então correndo para se transformar no Super-Homem. Mas aí o tempo da música já passou, e o que deveria causar arrepios, pouco surpreende.
Antí-climático ao extremo.
Talvez porque sempre achei que a cena final seria meio parecida com o final de Matrix, com a música do Super-Homem tocando, Clark caminhando em direção à câmera. A câmera sobe e passa a mostrar Clark de cima, a música aumenta e então Clark voa em direção à câmera...

Acho que, pelo que foi mostrado, não eram necessárias 1h30min de duração.
Mas claro, é um final de seriado, tem toda a questão comercial/financeira...

A meu ver, a melhor contribuição de Smallville foi a criação da personagem Chloe Sullivan (a linda Allison Mack), que foi incorporada aos gibis, assim como já havia acontecido com a Batgirl nos anos 60.
Sem mencionar é claro, as outras beldades que desfilaram em tela, desde Kristin Kreuk, chegando à grande "descoberta" deste seriado: a gata-mais-do-que-linda Erica Durance, que soube aproveitar a chance para criar uma Lois Lane interessante. E, embora a personagem esteja "fora do contexto" se comparado aos gibis, foi interpretada de maneira competente.

Agora vamos ao principal.
Sempre tive minhas reservas quanto a Tom Welling.
Para interpretar um jovem Clark, até que era suficiente, mas quando chega o momento de se tornar o Super-Homem, não tem como. E isso fica provado nesse episódio final.
E o pior é que Welling em nenhum momento veste o uniforme, ao menos não por completo. Há estórias de que ele teria exigido uma cláusula em seu contrato, desde o primeiro episódio, em que nunca vestiria o lendário manto azul e vermelho.

O que vemos então, quando o Super-Homem finalmente surge em cena, é um bonequinho em CGI bem simplório e sempre visto de longe. Quando temos uma aproximação, vemos apenas o rosto do ator, nunca o vemos com o uniforme completo. O máximo que vemos é a cena final do seriado, como mostra a imagem abaixo:


Ao longo do seriado, inúmeras referências foram feitas, vários personagens deram as caras, mesmo com a presença de alguns sendo totalmente contrária à "mitologia" do Homem de Aço: Perry White, a própria Lois Lane, a estranha estória de Jimmy Olsen (aquele que não era ele, mas sim o irmão dele, vai entender). Além destes, tivemos a Liga da Justiça, a Sociedade da Justiça, a Legião dos Super-Heróis, Besouro Azul e Gladiador Dourado, entre tantos outros.
Faltou mesmo só um certo homem-morcego...

Smallville foi um seriado extremamente popular, fazendo com que mesmo quem nunca leu um gibi tivesse interesse pelas aventuras do "Superboy".

E aqui reside a importância deste seriado: apesar de suas "liberdades criativas", apesar de alguns momentos esquecíveis, foi um seriado que cativou e manteve viva por 10 anos um estória sobre super-heróis, tentando manter um equilíbrio tênue entre sua proposta original (tratar de aspectos que definiriam a humanidade do Super-Homem) e o evidente teor de ficção científica e fantasia que os gibis do Super-Homem apresentam.

No fim das contas, fiquei com a impressão de que, se assistir o episódio-piloto e o episódio final, saberei tudo que preciso saber sobre estes personagens. Mas isso seria um engano. Smallville teve seus erros e acertos, seus altos e baixos, mas soube cativar seu público.

E se o seriado sempre seguiu a premissa de acompanhar o jovem Clark até o momento em que ele finalmente se torna o Super-Homem, então, apesar dos pesares, foi bem-sucedido.

E de mais a mais, se alguém quiser ver o Super-Homem de verdade, sempre existe aquele singelo filme, lançado em 1978, com um tal Christopher Reeve...